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Tempo·3 min de leitura

Atualizado a · Andreia Cirne

Marketing para quem não tem tempo: um plano de duas horas por semana

Quem faz tudo sozinho não precisa de mais tarefas. Precisa de poucas, sempre, no mesmo sítio da semana. Eis como montar um ritmo que aguenta.

O marketing de quem trabalha por conta própria costuma acontecer em rajadas. Numa semana publicas todos os dias, respondes a tudo, tratas do site. Depois entra trabalho, o marketing desaparece durante um mês, e quando voltas é como se começasses do zero.

Isto tem um custo que não aparece em nenhuma fatura: decisões adiadas, clientes que se esqueceram de que existes e a sensação permanente de que há sempre alguma coisa em atraso.

Ocupado não é o mesmo que avançar

Responder a mensagens, mudar as cores do site, testar uma ferramenta nova. Tudo isto parece trabalho de marketing e consome horas. Mas se no fim do mês não sabes quantos pedidos tiveste nem de onde vieram, estiveste ocupado. Não avançaste.

O plano de duas horas por semana

Duas horas não fazem milagres. Fazem melhor do que zero horas, e muito melhor do que vinte horas num mês e nenhuma nos três seguintes. Uma divisão possível:

  • 30 minutos para o canal principal: uma publicação útil, um artigo curto ou uma atualização no perfil do Google.
  • 30 minutos para relações: responder a avaliações, pedir uma recomendação a um cliente satisfeito, enviar uma mensagem a um antigo cliente.
  • 30 minutos para melhorar uma coisa no caminho até ao contacto: uma página do site, um texto de resposta, o formulário.
  • 30 minutos para olhar para os números: quantos pedidos chegaram, de onde e quantos se tornaram clientes.

Marca estas duas horas na agenda como marcarias um cliente. Sempre no mesmo dia, de preferência numa altura em que não estás esgotado.

O que deixar de fazer

Para este plano caber, alguma coisa tem de sair. Quase sempre sai uma destas: estar em redes onde os teus clientes não estão, refazer o logótipo pela terceira vez, criar conteúdo para impressionar outros profissionais da tua área em vez de quem te contrata.

Um exemplo

Uma terapeuta que trabalha sozinha reserva as sextas, das 9h às 11h, antes da primeira consulta. Escreve uma publicação a partir da pergunta que mais ouviu durante a semana, responde às avaliações novas, envia duas mensagens a antigos clientes que não marcam há mais de três meses e, no fim, anota quantos pedidos chegaram e de onde. Ao fim de três meses, percebe que metade das marcações novas vem do Google e passa a dedicar mais tempo ao perfil e menos às redes.

Como render mais nas duas horas

Algumas formas simples de fazer mais no mesmo tempo:

  • Guarda respostas prontas para as perguntas mais frequentes.
  • Escreve várias publicações de uma vez nos dias em que tens ideias.
  • Usa um modelo para responder a avaliações.
  • Usa a IA para primeiras versões, revendo sempre antes de publicar.

Quando o tempo é mesmo zero

Há fases em que nem duas horas existem. Nessas alturas, protege só uma coisa: responder depressa a quem te contacta. Um pedido respondido no próprio dia vale mais do que dez publicações.

Ritmo antes de volume

Ao fim de três meses com este ritmo, tens doze semanas de dados, uma dúzia de pequenas melhorias e um canal que funciona. É aí que faz sentido pensar em crescer. Antes disso, aumentar o volume é só aumentar o cansaço.

Perguntas comuns

Duas horas por semana chegam?
Para manter o marketing vivo e a melhorar, sim, se forem constantes e bem usadas. Para lançar algo novo ou entrar num canal novo, vais precisar de mais durante algumas semanas.
Devo usar ferramentas de agendamento?
Podem ajudar, mas não resolvem a falta de decisões. Primeiro decide o que publicar e porquê; depois escolhe a ferramenta.
E se eu delegar o marketing?
Podes delegar a execução. As decisões sobre a oferta, o público e as prioridades continuam a ser tuas, ou de alguém que as tome contigo.
E se houver uma semana em que não consigo?
Salta essa semana e volta na seguinte, no mesmo dia. O que estraga o plano não é uma semana falhada. É usar essa semana como desculpa para desistir.
Fotografia de Andreia Cirne

Quem escreve

Andreia Cirne

Consultora de marketing e formadora certificada (CCP), em Faro. Passou quase seis anos numa agência digital a gerir projetos de marketing, sites e equipas, e a fazer consultoria de marketing a cada cliente. Hoje trabalha diretamente com negócios de serviços e dá formação a equipas, para que consigam fazer o trabalho sem depender de ninguém.

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Se o marketing está sempre no fim da lista, o problema não é disciplina. É falta de um plano que caiba na tua semana.

Vamos pôr ordem nisto

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