Atualizado a · Andreia Cirne
Plano de marketing simples para pequenos negócios (com modelo)
Um plano de marketing não precisa de trinta páginas. Precisa de caber numa página e de ser usado todas as semanas. Este é o modelo que uso.
A palavra plano assusta. Faz pensar em documentos longos, gráficos e análises que ninguém volta a abrir depois da reunião. Um pequeno negócio de serviços não precisa disso. Precisa de uma página que diga o que vais fazer nos próximos três meses, porquê e como vais saber se resultou.
Porque três meses
Um ano é demasiado longe para quem tem um negócio pequeno e uma agenda que muda todas as semanas. Uma semana é demasiado perto para ver resultados. Três meses chegam para testar, medir e ajustar, sem perder o rumo.
O modelo numa página
Copia estas sete partes para um documento e responde a cada uma em poucas linhas:
- Objetivo: o que queres que aconteça daqui a três meses, com um número. Por exemplo, oito pedidos de contacto por mês, ou quatro reservas diretas por semana.
- Cliente: para quem é este plano. Uma descrição concreta, não um público genérico.
- Oferta: o serviço que vais promover e a frase que o explica.
- Canais: no máximo dois, escolhidos por onde os teus clientes já estão.
- Ações: três a cinco coisas concretas para fazer, por ordem.
- Ritmo: quanto tempo por semana e em que dia.
- Números: o que vais medir todas as semanas e onde vais anotar.
Como escolher o objetivo
O objetivo certo é aquele que, se acontecer, muda alguma coisa no teu negócio. Não seguidores nem visitas: pedidos de contacto, marcações, reservas, inscrições. Para chegar ao número, olha para os últimos três meses. Se recebeste quatro pedidos por mês, oito é ambicioso e possível. Quarenta é só um desejo escrito.
Como escolher os canais
Pergunta onde estavam os teus últimos dez clientes antes de te contactarem. Se a resposta é Google e recomendações, os canais estão escolhidos. Para cada canal, define uma ação semanal concreta. Um canal sem ação definida é um canal que vais abrir, ver o que os outros publicam e fechar com culpa.
Um exemplo
Um alojamento local no Algarve quer mais reservas diretas na época baixa. Objetivo: dez reservas diretas por mês entre novembro e março. Cliente: casais portugueses que fazem escapadinhas de fim de semana. Oferta: estadia de duas noites com pequeno-almoço e sugestões de passeios fora da época. Canais: perfil no Google e lista de antigos hóspedes. Ações: atualizar fotografias e descrição, criar a oferta no site com reserva simples, enviar uma mensagem por mês a antigos hóspedes, pedir avaliação a cada saída. Ritmo: duas horas às segundas-feiras. Números: reservas diretas, origem de cada uma e avaliações novas.
Outro exemplo: uma imobiliária pequena
Objetivo: seis angariações por trimestre na zona onde a agência já trabalha. Cliente: proprietários de casas de família que estão a pensar vender nos próximos meses. Oferta: avaliação gratuita com um relatório de preços da zona e um plano de venda. Canais: perfil no Google e uma página de avaliação no site. Ações: escrever a página de avaliação com um formulário curto, publicar um resumo mensal do mercado local, pedir avaliação no Google a cada escritura, enviar o resumo a antigos clientes. Ritmo: três horas às terças-feiras. Números: pedidos de avaliação, origem de cada um e angariações.
Como usar o plano
Lê-o todas as semanas, no mesmo dia, antes de fazer qualquer coisa de marketing. Se uma tarefa não está no plano, pergunta-te se ajuda ao objetivo. Se não ajuda, fica para depois, por muito boa que a ideia pareça às onze da noite.
A revisão semanal em quinze minutos
Uma vez por semana, responde a quatro perguntas:
- Quantos pedidos chegaram e de onde?
- Que ações da semana passada ficaram feitas?
- O que ficou por fazer, e porquê?
- Qual é a coisa mais importante para esta semana?
Onde guardar o plano
Num sítio que abres todas as semanas: um documento fixo no computador, uma nota no telemóvel, uma folha impressa ao lado do ecrã. A ferramenta interessa pouco. Um plano guardado numa aplicação que nunca abres é o mesmo que não ter plano.
Quando rever
Ao fim de três meses, olha para os números. O que funcionou fica, o que não funcionou sai ou muda. Depois escreve o plano seguinte, já com o que aprendeste nos meses anteriores.
Os erros mais comuns
Quase todos os planos que falham caem num destes:
- Objetivos sem número, como ter mais visibilidade.
- Canais a mais para o tempo disponível.
- Nenhuma forma de medir.
- Planos tão bonitos que dá pena mexer neles.
Perguntas comuns
- Um plano de marketing precisa de orçamento?
- Não necessariamente. Muitos planos para negócios pequenos assentam em tempo, não em dinheiro. Se houver orçamento para anúncios, entra como mais um canal, com números próprios.
- Posso fazer o plano sozinho?
- Podes. O modelo foi pensado para isso. A ajuda externa é útil quando não consegues decidir o objetivo, o cliente ou a oferta.
- E se não cumprir o plano?
- Acontece. O plano serve para voltares ao rumo, não para te sentires culpado. Reduz as ações até caberem na tua semana.
- Qual é a diferença entre estratégia e plano de marketing?
- A estratégia são as escolhas de fundo: a quem vendes, o quê e porque te escolhem. O plano é o que fazes nos próximos meses para pôr essas escolhas em prática. Sem estratégia, o plano é uma lista de tarefas ao acaso.

Quem escreve
Andreia Cirne
Consultora de marketing e formadora certificada (CCP), em Faro. Passou quase seis anos numa agência digital a gerir projetos de marketing, sites e equipas, e a fazer consultoria de marketing a cada cliente. Hoje trabalha diretamente com negócios de serviços e dá formação a equipas, para que consigam fazer o trabalho sem depender de ninguém.
Conhecer o meu percursoSe não consegues preencher o objetivo, o cliente ou a oferta, é aí que um diagnóstico ajuda.
Vamos pôr ordem nisto