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Plano·5 min de leitura

Atualizado a · Andreia Cirne

Plano de marketing simples para pequenos negócios (com modelo)

Um plano de marketing não precisa de trinta páginas. Precisa de caber numa página e de ser usado todas as semanas. Este é o modelo que uso.

A palavra plano assusta. Faz pensar em documentos longos, gráficos e análises que ninguém volta a abrir depois da reunião. Um pequeno negócio de serviços não precisa disso. Precisa de uma página que diga o que vais fazer nos próximos três meses, porquê e como vais saber se resultou.

Porque três meses

Um ano é demasiado longe para quem tem um negócio pequeno e uma agenda que muda todas as semanas. Uma semana é demasiado perto para ver resultados. Três meses chegam para testar, medir e ajustar, sem perder o rumo.

O modelo numa página

Copia estas sete partes para um documento e responde a cada uma em poucas linhas:

  • Objetivo: o que queres que aconteça daqui a três meses, com um número. Por exemplo, oito pedidos de contacto por mês, ou quatro reservas diretas por semana.
  • Cliente: para quem é este plano. Uma descrição concreta, não um público genérico.
  • Oferta: o serviço que vais promover e a frase que o explica.
  • Canais: no máximo dois, escolhidos por onde os teus clientes já estão.
  • Ações: três a cinco coisas concretas para fazer, por ordem.
  • Ritmo: quanto tempo por semana e em que dia.
  • Números: o que vais medir todas as semanas e onde vais anotar.

Como escolher o objetivo

O objetivo certo é aquele que, se acontecer, muda alguma coisa no teu negócio. Não seguidores nem visitas: pedidos de contacto, marcações, reservas, inscrições. Para chegar ao número, olha para os últimos três meses. Se recebeste quatro pedidos por mês, oito é ambicioso e possível. Quarenta é só um desejo escrito.

Como escolher os canais

Pergunta onde estavam os teus últimos dez clientes antes de te contactarem. Se a resposta é Google e recomendações, os canais estão escolhidos. Para cada canal, define uma ação semanal concreta. Um canal sem ação definida é um canal que vais abrir, ver o que os outros publicam e fechar com culpa.

Um exemplo

Um alojamento local no Algarve quer mais reservas diretas na época baixa. Objetivo: dez reservas diretas por mês entre novembro e março. Cliente: casais portugueses que fazem escapadinhas de fim de semana. Oferta: estadia de duas noites com pequeno-almoço e sugestões de passeios fora da época. Canais: perfil no Google e lista de antigos hóspedes. Ações: atualizar fotografias e descrição, criar a oferta no site com reserva simples, enviar uma mensagem por mês a antigos hóspedes, pedir avaliação a cada saída. Ritmo: duas horas às segundas-feiras. Números: reservas diretas, origem de cada uma e avaliações novas.

Outro exemplo: uma imobiliária pequena

Objetivo: seis angariações por trimestre na zona onde a agência já trabalha. Cliente: proprietários de casas de família que estão a pensar vender nos próximos meses. Oferta: avaliação gratuita com um relatório de preços da zona e um plano de venda. Canais: perfil no Google e uma página de avaliação no site. Ações: escrever a página de avaliação com um formulário curto, publicar um resumo mensal do mercado local, pedir avaliação no Google a cada escritura, enviar o resumo a antigos clientes. Ritmo: três horas às terças-feiras. Números: pedidos de avaliação, origem de cada um e angariações.

Como usar o plano

Lê-o todas as semanas, no mesmo dia, antes de fazer qualquer coisa de marketing. Se uma tarefa não está no plano, pergunta-te se ajuda ao objetivo. Se não ajuda, fica para depois, por muito boa que a ideia pareça às onze da noite.

A revisão semanal em quinze minutos

Uma vez por semana, responde a quatro perguntas:

  • Quantos pedidos chegaram e de onde?
  • Que ações da semana passada ficaram feitas?
  • O que ficou por fazer, e porquê?
  • Qual é a coisa mais importante para esta semana?

Onde guardar o plano

Num sítio que abres todas as semanas: um documento fixo no computador, uma nota no telemóvel, uma folha impressa ao lado do ecrã. A ferramenta interessa pouco. Um plano guardado numa aplicação que nunca abres é o mesmo que não ter plano.

Quando rever

Ao fim de três meses, olha para os números. O que funcionou fica, o que não funcionou sai ou muda. Depois escreve o plano seguinte, já com o que aprendeste nos meses anteriores.

Os erros mais comuns

Quase todos os planos que falham caem num destes:

  • Objetivos sem número, como ter mais visibilidade.
  • Canais a mais para o tempo disponível.
  • Nenhuma forma de medir.
  • Planos tão bonitos que dá pena mexer neles.

Perguntas comuns

Um plano de marketing precisa de orçamento?
Não necessariamente. Muitos planos para negócios pequenos assentam em tempo, não em dinheiro. Se houver orçamento para anúncios, entra como mais um canal, com números próprios.
Posso fazer o plano sozinho?
Podes. O modelo foi pensado para isso. A ajuda externa é útil quando não consegues decidir o objetivo, o cliente ou a oferta.
E se não cumprir o plano?
Acontece. O plano serve para voltares ao rumo, não para te sentires culpado. Reduz as ações até caberem na tua semana.
Qual é a diferença entre estratégia e plano de marketing?
A estratégia são as escolhas de fundo: a quem vendes, o quê e porque te escolhem. O plano é o que fazes nos próximos meses para pôr essas escolhas em prática. Sem estratégia, o plano é uma lista de tarefas ao acaso.
Fotografia de Andreia Cirne

Quem escreve

Andreia Cirne

Consultora de marketing e formadora certificada (CCP), em Faro. Passou quase seis anos numa agência digital a gerir projetos de marketing, sites e equipas, e a fazer consultoria de marketing a cada cliente. Hoje trabalha diretamente com negócios de serviços e dá formação a equipas, para que consigam fazer o trabalho sem depender de ninguém.

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Se não consegues preencher o objetivo, o cliente ou a oferta, é aí que um diagnóstico ajuda.

Vamos pôr ordem nisto

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