Atualizado a · Andreia Cirne
Porque é que o teu marketing não resulta (e não é falta de esforço)
Publicas, fazes anúncios, mudas o site, e nada muda. Na maior parte dos casos o problema não está nos canais. Está nas decisões que ninguém tomou.
Há uma conversa que se repete. Alguém com um negócio de serviços conta-me que já tentou quase tudo: publicou todos os dias durante um mês, fez anúncios, mudou o logótipo, pagou a alguém para refazer o site. E os clientes continuam a chegar da mesma forma de sempre: por recomendação, quando chegam.
A conclusão costuma ser que o marketing não funciona para aquele negócio. Quase nunca é verdade. O que não funciona é fazer marketing sem ter decidido primeiro meia dúzia de coisas que nenhum canal pode decidir por ti.
O esforço não é o problema
Quem trabalha por conta própria ou gere um negócio pequeno raramente tem falta de esforço. Tem falta de tempo e excesso de tarefas. Por isso, quando o marketing não resulta, a reação natural é fazer mais: mais publicações, mais canais, mais uma ferramenta. Só que mais volume em cima de uma base confusa dá apenas mais confusão, agora com mais gente a assistir.
As cinco causas mais comuns
Quando olho para um negócio de serviços em que o marketing não resulta, encontro quase sempre uma ou mais destas causas:
- A oferta não está clara. Quem visita o site ou o perfil não percebe em dez segundos o que fazes, para quem e porque devia escolher-te.
- Falas para toda a gente. Ajudar empresas a crescer não diz nada a ninguém. Uma clínica em Faro e uma escola de línguas em Lisboa precisam de ouvir coisas diferentes.
- O caminho até ao contacto tem obstáculos. Formulários longos, um telefone escondido, uma página de reservas que não funciona no telemóvel.
- Não há prioridades. Tudo é importante ao mesmo tempo, por isso nada chega ao fim.
- Não medes o que interessa. Contas seguidores e gostos, mas não sabes quantos pedidos chegaram este mês nem de onde vieram.
Repara que nenhuma destas causas se resolve com um canal novo.
O ciclo que se repete
Sem estas decisões, o padrão é previsível. Começas com energia, publicas durante duas ou três semanas, não vês resultados e paras. Uns meses depois alguém te sugere uma rede nova, um curso ou uma agência, e o ciclo recomeça. O dinheiro e o tempo vão-se gastando, e a sensação que fica é a de que o problema és tu. Não és. É a ordem pela qual as coisas estão a ser feitas.
O que não resolve
Quando o marketing não resulta, estas são as soluções mais procuradas. Quase nunca resolvem, porque atacam o sintoma:
- Mudar de rede social.
- Refazer o logótipo ou o site sem mudar a mensagem.
- Contratar alguém para publicar mais, sem decidir o que dizer.
- Comprar mais uma ferramenta.
Tudo isto pode ajudar mais tarde. Antes das decisões tomadas, é só uma forma cara de adiar.
Por onde começar
Antes de mexer em qualquer canal, responde por escrito a estas perguntas. Se alguma te custar, encontraste o primeiro trabalho a fazer:
- Que serviço queres vender mais nos próximos três meses?
- Para quem é, exatamente? Descreve uma pessoa ou um negócio concreto.
- Porque é que essa pessoa te devia escolher a ti e não à alternativa mais barata?
- Por onde chegaram os teus últimos cinco clientes?
- Quantos pedidos de contacto recebeste no último mês?
Com estas respostas, a escolha dos canais torna-se quase óbvia. Se os teus últimos cinco clientes chegaram por recomendação e pelo Google, talvez não precises de mais uma rede social. Precisas de um perfil no Google bem tratado e de uma forma simples de pedir recomendações.
Um exemplo
Uma escola de línguas publica todos os dias no Instagram e faz anúncios em setembro, mas as inscrições não sobem. Quando olha para os últimos alunos, percebe que quase todos chegaram por recomendação de outros pais ou por pesquisas no Google como explicações de inglês para exames. O site não tinha nenhuma página sobre preparação para exames, que era precisamente o que os pais procuravam. Em vez de publicar mais, faz três mudanças: cria essa página, atualiza o perfil no Google e, em junho, pede aos pais satisfeitos que a recomendem a quem vai precisar no ano seguinte. O esforço é menor e vai para onde os clientes já estão.
Quando faz sentido pedir ajuda
Se já tentaste responder a estas perguntas e continuas sem saber o que vem primeiro, é aí que um olhar de fora poupa meses. O diagnóstico de marketing serve exatamente para isso: perceber o que está a travar, decidir a ordem e sair com um plano que cabe na tua semana.
Perguntas comuns
- O marketing funciona para negócios pequenos?
- Funciona, desde que seja do tamanho do negócio. Um plano simples, aplicado durante meses, ganha quase sempre a um plano ambicioso que dura três semanas.
- Quanto tempo demora a ver resultados?
- Depende do ponto de partida e do canal. Ajustes no site ou no perfil do Google podem mostrar efeito em semanas; o conteúdo e a pesquisa orgânica costumam levar meses. O importante é medir desde o início.
- Preciso de estar em todas as redes sociais?
- Não. Escolhe um ou dois canais onde os teus clientes já estão e faz bem esses. Estar em todo o lado sem tempo para nenhum é a forma mais rápida de desistir.
- Como sei se o problema é o marketing ou o próprio serviço?
- Se quem compra fica satisfeito, volta e recomenda, o serviço está bem e o problema está em chegar a mais pessoas certas. Se há queixas, desistências ou poucas recomendações, começa pelo serviço. Marketing a acelerar um serviço com problemas só os torna conhecidos mais depressa.

Quem escreve
Andreia Cirne
Consultora de marketing e formadora certificada (CCP), em Faro. Passou quase seis anos numa agência digital a gerir projetos de marketing, sites e equipas, e a fazer consultoria de marketing a cada cliente. Hoje trabalha diretamente com negócios de serviços e dá formação a equipas, para que consigam fazer o trabalho sem depender de ninguém.
Conhecer o meu percursoSe te reconheces nisto, o próximo passo não é fazer mais. É perceber o que fazer primeiro.
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